segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

GP Natal 2017

Tentei não ler o post do ano passado, mas falhei redondamente e foi o que acabei de fazer antes de começar a escrever este. Não sei se há mais semelhanças ou diferenças.
Desta vez não me caiu um dorsal na véspera, já me tinha inscrito com a devida antecedência e sabia ao que ia. E ia com esperança de melhorar o tempo do ano passado. É que eu continuo com um problema: o meu record pessoal aos 10km foi no GP Natal 2016 com 48:16 mas com um dorsal que cedido por um amigo. O meu record pessoal em nome próprio é 48:18 feito na Scalabis 2017. É este que eu uso quando me perguntam e quero de uma vez por todas poder deixar de ter que explicar que tenho "dois recordes pessoais".

Spoiler alert: não foi hoje que isso aconteceu! Serei um dos 7 atletas num universo de 4356 finishers que não o fizeram hoje. Vamos já colocar de lado esta questão. Quem estava à espera de um relato épico de um record pode ficar por aqui. Temos "apenas" um relato épico de uma excelente prova, culminada com uma aproximação à meta onde beijo o símbolo da equipa na camisola e depois de terminar ergo os braços, danço ao som da música que saía dos altifalantes terminando com um soco no ar. Tudo isto com um sorriso na cara, imagine-se. Descobri no carro na viagem que regresso a casa que parte disto foi também filmado em directo pelo canal que fez a transmissão da prova e prontamente colocado a circular na rede social. Bonito!

Não fiz grandes análises à prova. Sabia o ritmo final que tinha que atingir, sabia as dificuldades pelo caminho, sabia que é aquele final que (quase) toda a gente gosta. O que não estava nos planos era a jantarada de Natal até às tantas na 6a feira, não pelo jantar em si mas pelo frio que apanhei. Ontem acordei meio constipado e isso manteve-se hoje, apesar de ter atacado com medicação. O nariz entupido era o maior inimigo, mas descobri antes dos 3kms que a respiração estava também a ficar afectada, daí que tenha ido ao bolso dos calções agarrar a bomba para a asma na esperança que fosse ajudar a acalmar. Resultou por uns quilómetros ou pelo menos enquanto o psicológico deixou.

Ao contrário do ano passado comecei forte nas subidas iniciais. Tinha que chegar ao fim com média de 4:49m/km e comecei dentro desse registo mesmo sabendo que podia pagar a factura mais tarde, mas queria chegar a Telheiras abaixo do ritmo desejado sem pensar que podia recuperar alguma perda na descida final. Disse isto no ano passado: estava a correr em ruas que me são familiares mas mantinha a concentração e podia ter as 7 maravilhas do mundo ao lado do passeio naqueles quilómetros que não as teria visto.


Escolhi até levar o relógio "antigo" por ser mais rigoroso a mostrar o ritmo instantâneo e mais fácil para começar/terminar o treino. O novo tem um ligeiro delay no ritmo, embora mostre depois com exactidão o ritmo por quilómetro no final dos mesmos. Mas eu queria saber sempre a quantas andava e fazia eu as contas da média por quilómetro. Era importante chegar a meio da prova com 24 minutos e chegar aos 8km abaixo dos 39 minutos. Foi por isso que fiquei muito contente quando atravessei o tapete de controlo dos 5km com 24:03.

Pequena pausa para dizer que não me vou alargar nos comentários às questões da organização que já foram muito debatidas pela rede social. A camisola é feia, a animação durante a prova foi bastante pior que no ano passado, mas por outro lado a existência de caixas de tempos facilitou no arranque. Aquilo que me vou queixar é da falta de apoio popular nas ruas de Lisboa. Excepto na Avenida da Liberdade onde havia muitas pessoas também por estarem à espera de amigos e familiares, o restante percurso foi uma pasmaceira em termos de apoio. Se ouvi 5 pessoas a bater palmas foi muito. Eu sei que ia focado, mas parece-me que não estou a ser injusto. 

Agora vinha a fase dos túneis. Três quilómetros até ao Saldanha, três túneis. Se no primeiro a coisa não correu mal, no segundo já me senti a fraquejar, não tanto por falta de pernas mas porque a respiração estava a ficar descontrolada. Fiquei até na dúvida se ainda haveria um terceiro túnel de tão desorientado que me sentia. Claro que havia e quando saí dele já tinha a mira apontada ao Saldanha, mas ali a estrada sobe um pouco. Uma pessoa nem nota muito, mas sobe. Mesmo antes de começarmos a descer um amigo apanha-me e mete conversa rápida. Basicamente só me disse para respirar melhor. Eu ia ofegante ao ponto de se notar para quem estava nas redondezas. Já tinha pensado se esse seria o caso e tive ali a confirmação. Como sei que - em estrada - desço melhor que ele arranquei. A chegada ao quilómetro 8 deu-se já bem acima dos 39 minutos. Não consigo precisar exactamente com que tempo foi, mas já era o suficiente para colocar de lado a hipótese de recorde.
Teria que fazer dois quilómetros finais loucos e embora o coração me tivesse dito para partir tudo até aos Restauradores, a razão mandou-me descer a um ritmo forte mas que eu conseguisse manter de forma regular até ao final e foi isso que fiz.

Terminei da forma que já relatei no início. E muito feliz, diga-se! Uma frase feita que aparece de vez em quando no mundo da corrida é "Celebrate finish lines, not finish times!" Nesta prova celebrei ambos porque a chegada à meta marcava um tempo excelente para mim. Trata-se da 5a vez que baixo dos 50 minutos e é o meu quarto melhor tempo aos 10km. Está óptimo! Queria bater o recorde, sim... mas não preciso disso para me sentir feliz numa chegada à meta.

Para juntar à festa, antes da partida e depois da chegada estive com imensos amigos e vi caras conhecidas em catadupa. Tirei fotos, conversei com malta amiga com quem não me cruzava há algum tempo, falei imenso com outros atletas. Assim que me despedia de alguém tinha logo outra cara conhecida a chamar-me ou a cruzar-se comigo. E percebo pelas fotos que já vi que ainda houve muitos outros que não encontrei, mas que também estavam por lá a correr. Ficará para uma próxima oportunidade.

Agora para terminar o ano resta uma prova do troféu das localidades, a primeira onde vou marcar presença nesta nova época. Tive que ir ali ao Excel ver que é na Cruz Quebrada, porque nem tinha ainda visto muito bem onde era. Vou passar a semana a dizer que estas provas são só para o convívio - o que é verdade - mas quando lá chegar vou cerrar os dentes e dar o meu máximo naqueles percursos sempre muito sinuosos.

Prova nº 72 - Grande Prémio de Natal 2017 - 10km - 00:48:53

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Há vida para além das corridas

Depois de dias e dias de ouvir falar no anúncio do concerto dos Pearl Jam no Nos Alive e de me tentar esquivar a ter que ir, afinal lá me convenceram e mudei de ideias...


Agora vou ter que olhar para o calendário e perceber que provas vou ter que cortar do orçamento.

Que mau timing, tendo em conta que ainda ontem também reservei quarto em Peso da Régua para o último fim de semana de Maio, if you know what I mean...!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Évora, Évora, Évora

Então já passou quase uma semana da prova e tu não te dignas a escrever sobre o assunto?
Na verdade esta falta de tempo deve-se não só às obrigações pessoais do dia-a-dia, mas também a outros projectos que têm merecido a minha atenção.

Disse várias vezes nas semanas antes da prova que Évora era para fazer nas calmas e que o mais importante ia ser o convívio. A prova é dura, mas aquele duro de ser desafiante ao ponto de uma pessoa querer sempre lá voltar. Porque se fosse fácil qualquer um fazia, porque uma pessoa queixa-se das subidas nos treinos mas também são elas que nos fazem chegar mais longe e melhorar o nosso desempenho.

Juntando ao facto de ainda estar em período de esvaziamento da bolha da Maratona e de estar a fazer menos treinos - mas não estou letárgico como fiquei por esta altura em 2016 - sabia que ia ter um fim de semana bastante agitado ainda antes de chegar a Évora. 6a feira tive o jantar de Natal da minha empresa. Este ano foi tão antecipado que estávamos a celebrar o facto de faltar um mês para o Natal! Tendo em conta que na noite de 5a feira tive uma chatice que até me fez desligar por um dia do mundo virtual, passei esse dia algo irritado e em modo de birra portanto foi um jantar onde afoguei algumas mágoas e onde só cheguei a casa pelas 4:00 da manhã

Gin e capirinha e mais gin




No sábado deu para tentar recuperar um pouco, mas ao fim da tarde/início da noite tive uma festa de anos. Mais tranquila e sem os excessos da noite anterior, mas mesmo assim cansativa. E domingo toca a acordar às 6:00 que a viagem é longa e é para chegar cedo a Évora para estacionar sem stress.

Correu tudo bem, sobretudo pelo facto de um casal da equipa ter lá ficado de véspera e ter levantado os dorsais da equipa no sábado. Foi uma ajuda preciosa. E domingo pouco antes das 9:00 já estávamos estacionados no local do costume e pouco depois era hora de tirar a foto de grupo antes de rumar à partida. Éramos 15 no total: 3 na Meia, 2 nos 10km e os restantes na caminhada. Percebi que ia ser o último da equipa a chegar porque em condições normais seria o menos rápido do trio de elementos que faziam a Meia Maratona. Já imaginava a equipa em peso a acompanhar-me na subida final até à Praça do Giraldo!

Da prova havia uma novidade já anunciada pela organização: o percurso era diferente. Foi uma inversão do que tinha sido feito nos dois anos anteriores e depois do início dentro de Évora faríamos a zona dentro da cidade em vez de sairmos para o IP2 e para a EN354. Isso significava que a parte mais complicada do percurso seria na primeira metade e a segunda parte tinha tudo para ser mais tranquila por ser em alcatrão plano em vez de empedrado com sobe e desce que só voltaríamos a apanhar na reentrada em Évora por volta do km19. Quem fez a prova de 10km também achou este trajecto mais duro mas onde a participação do público era muito mais activa por estarem sempre em zona urbana.

Assim sendo decidi dar o tudo por tudo para fazer esta parte enquanto tinha energia e força nas pernas para depois gerir na segunda parte. E isso correu às mil maravilhas! Senti-me muito bem nesta fase e os quilómetros iam passando com a dificuldade esperada mas com alguma confiança. Foi bom ver muita gente nas ruas a apoiar, mesmo que um senhor de um grupo a quem pedi palmas me tenha dito, a sorrir e com sotaque alentejano: "Ah amigo, palmas? Agora na temos tempo p'ra isso!"

A zona que era crítica nos anos anteriores tornou-se super interessante este ano: do lado esquerdo da estrada vinham os atletas a fazer o retorno e do nosso lado direito começávamos a ver os participantes da caminhada a vir na nossa direcção. Não sabia para onde olhar, não sabia se havia de tentar encontrar os meus colegas dos 21km ou o grupo da caminhada. Percebi entretanto - porque não vi ninguém - que o grupo tinha ficado bastante para trás no início e que eu ainda estava a ver a parte da frente. Consegui ver quem ia à minha frente e quando fiz eu o retorno cruzei-me com as colegas dos 10km. E ainda tive o bónus de ter encontrado um grupo de malta amiga - incluindo a minha chefe de trabalho - que estava em passeio de fim de semana por Évora e onde um deles estava a correr. Curiosamente é um amigo que encontro em todas as provas sem nunca combinarmos e desta vez vi o grupo de apoio mas não estive com ele. Aliás, foi mais uma prova onde encontrei algumas caras conhecidas e muitas outras ficaram por cumprimentar pessoalmente.

Ao passar pela divisão entre os 10km e os 21km também reparei que se tivesse ido para o outro lado teria feito um tempo muito simpático para o tipo de prova e percurso. Seguindo para o lado da Meia Maratona dou por mim a entrar no Complexo Desportivo de Évora onde estava o abastecimento dos 10km e voltei a pensar que bonito era darmos uma volta pela pista de tartan em vez de apenas a vermos ali tão perto e tão longe. Aos 11km tinha exactamente 60 minutos de prova. Se fosse de propósito não tinha conseguido. Fiz contas, obviamente. Tal como em Coimbra pensei que agora era só fazer mais 60 minutos nos 10km restantes e chegaria ao objectivo de fazer um tempo final dentro das duas horas. E agora era um percurso maioritariamente a rolar! A diferença para Coimbra era que aqui não tínhamos começado com um tal percurso sempre a descer.

Vamos a isso! Para ajudar tinha umas camisolas conhecidas de um grupo vizinho ali à frente a marcar o ritmo e podia aproveitar essa espécie de boleia. E até aos 15km fui a um ritmo mais ou menos estável a rondar os 5:30m/km mas a começar a sentir algum desgaste e senti necessidade de fazer uma paragem um pouco maior no abastecimento dos 15km. Tentei voltar a um ritmo tranquilo e baixei para os 6:00m/km. Sabia que não precisava de ir mais depressa portanto não valia a pena forçar. Lá está, já tinha feito o pior, tinha tomado um gel há instantes e agora era só gerir.

Mas... há sempre um mas... Se esta zona era calma em termos de dificuldade também era calma em termos de ambiente. Na realidade, à excepção de um café cheio de gente a aplaudir e um bairro com muitas pessoas à beira da estrada todo o resto era uma pasmaceira e a única companhia que havia era a de outros atletas. Tendo optado desta vez por não levar música senti imensa falta dela nesta fase para me distrair, mas lá fui a um ritmo mais lento, a ritmo mais ou menos de treino. Ora se o percurso não tivesse sido alterado esta fase teria sido feita ainda dentro dos primeiros dez quilómetros portanto ainda haveria muita energia e pouco desgaste. E o pensamento estaria nas dificuldades que estavam para chegar. Também senti um pouco de Coimbra aqui porque já só queria voltar a entrar na cidade e esse momento estava a aproximar-se.

Novo abastecimento aos 18km e o momento chave da minha prova foi aqui porque depois de passar por ele e de ganhar novas forças perdi-as rapidamente no momento em que não me consegui desviar devidamente de uma garrafa de água que estava no chão, pisei mal e torci o pé esquerdo - aquele que torço sempre. Na altura soltei um grito e quem ia à minha frente ainda olhou para trás. Fiz sinal positivo com o polegar e continuei. Estando quente e a menos de 3km da meta pouco me estava a doer e pouco podia fazer a não ser continuar até ao fim. Aqui sim tive que optar pela minha segurança e estando novamente nas ruas de Évora e de volta ao empedrado alternei entre correr devagar e caminhar em algumas zonas. Aquilo que menos queria era que o mesmo me voltasse a acontecer agora por causa do chão sinuoso. Muito pessoal que passava ia puxando por mim, muitas pessoas novamente na berma da estrada e algumas caras conhecidas. Ia timidamente explicando que tinha torcido o pé, mas estava ok e só não queria forçar até ao final. A minha cara de esforço a correr devia contrastar com o sorriso que ia fazendo ao falar.

Quando chego finalmente à subida final até à meta encontro duas colegas de equipa que me começam a acompanhar. Não me recordo se lhes falei na altura do susto com o pé, mas era a altura de esquecer isso naqueles metros finais e só voltar a pensar no que tinha acontecido quando estivesse do outro lado da meta. E a partir dali foi uma alegria imensa com a malta toda, sobretudo a minha claque pessoal que me leva ao sprint final. Meta atingida, prova superada. Percebi antes da partida que esta foi a terceira edição da prova, o que faz de mim um dos totalistas do evento, estatuto que quero manter até onde me for possível.

Felizmente o que se passou com o pé foi mesmo um susto e à medida que ia arrefecendo a caminho do carro não sentia qualquer dor, para além daquelas mazelas normais de quem completa uma Meia Maratona. Durante o resto da tarde e agora que já passaram alguns dias confirma-se que não tenho qualquer mazela no pé, mas é cada vez mais óbvio que depois da primeira vez este vai sempre ser o meu pé preferido para torcer.

Estava longe de saber que o momento mais mágico da prova ainda estava para acontecer. Depois de voltarmos dos carros e quando estávamos a caminho do restaurante que tínhamos marcado para almoçar íamos novamente começar a subir a recta que nos levaria até à meta. Sentimos uma imensa algazarra nas nossas costas e quando olhamos percebemos que o último estava a chegar fortemente acompanhado por um grupo de atletas que vim a perceber serem dos Évora Night Runners. Foi memorável! Quem me conhece sabe o quanto eu me emociono com momentos destes e o quando isto me toca. Há largos anos atrás o senhor Reinaldo que estava ali a correr devagar mas imensamente feliz era eu e se eu não tivesse tido apoio semelhante não seria nem metade do que sou hoje.

Lembrei-me de tantos momentos. De Peniche, do Autódromo do Estoril e depois da Scalabis conforme já estava prometido, de Alverca, de não ter conseguido fazer isto em Coimbra este ano. Foi um momento muito bonito e um final perfeito para o circuito das 7 Running Wonders de 2017. Já tinha ficado prometido que para o ano só iria fazer Coimbra e a Évora com muita pena por Guimarães ser sempre no mesmo fim de semana das Fogueiras. Mas sem esperar abriu-se meia porta para o Douro Vinhateiro. E há sempre uma porta aberta para Castelo Branco.

Resta falar do tempo. Estava frio de manhã e imenso calor que foi aumentando durante a prova. Ah, não era esse tempo? Ok, dos três anos em que fui a Évora era aquele em que ia melhor lançado para o tempo que queria e acaba por ser o meu tempo mais fraco. Só hoje é que reparei nisso, mesmo antes de começar a escrever este texto. Sabem o que isso significa? Que apesar de querer fazer um tempo específico e desse tempo ter estado perfeitamente ao meu alcance isso sempre foi a menor das minhas preocupações.

E comer no Alentejo? Que maravilha! Que valente almoço!

Prova nº 71 - Meia Maratona de Évora 2017 - 21km - 02:04:09

Participações anteriores na prova: 2015 e 2016

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Lamb

As idas ao Coliseu de Lisboa começam a ser quase tão frequentes como as idas a provas. E raramente tem sido uma visita que me desilude!

Esta noite vivi novamente uma viagem ao passado como tantas outras já vividas naquele mesmo espaço. Para os Lamb foi uma viagem de 21 anos, para mim menos uns quantos já que os devo ter começado a ouvir algures na viragem do milénio e cujo percurso na minha existência tinha tido o seu ponto alto em Dezembro de 2003 quando se apresentaram no Pavilhão Atlântico num concerto (mais ou menos) intimista em que o palco estava chegado o mais à frente possível e estariam lá cerca de 3000 pessoas. A primeira parte foi do Damien Rice, já agora.

Hoje acordei com a notícia que me tinha caído nas mãos a possibilidade de ir ver o concerto e uma pessoa até vai trabalhar mais bem disposta. Hoje foi dia para esquecer as preocupações recentes que a vida tem trazido e poder relaxar um pouco.

Nesta viagem que começou lá bem no passado e foi gradualmente chegando aos tempos actuais, o que mais gostei foi ali o ponto intermédio. Foi ali que me senti mais confortável a ouvir a voz maravilhosa da Lou Rhodes a contrastar com a energia do Andy Barlow.


Quando se fala de Lamb o mais natural é que se pense no Gabriel, mas a minha música favorita continua a ser o Gorecki que já aqui tinha deixado no blog. Pois que para não me repetir deixo outra que me toca ao coração. Não é do concerto de Lisboa, mas também é ao vivo, pronto. E fico por aqui, que eu não escrevo sobre música da mesma maneira que escrevo sobre provas mas que não haja dúvidas que são duas coisas sem as quais não vivo.




"What Sound"
Lamb

What is that sound
Ringing in my ears
The strangest sound
I've heard for years and years
The sound of two hearts
Beating side by side
The sound of one love
That neither one can hide

 
The sound that makes the world go round
The sound that makes the world go round

 
What is that sound
Running round my head
Funny I thought
That part was long since dead
But now there's new life
Crossing through my veins
Because there's someone
To make it beat again

 
The sound that makes the world go round
The sound that makes the world go round
The sound that makes the world go round
The sound that makes the world go round

 
What is that sound
Ringing in my ears
The strangest sound
I've heard for years and years
The sound of two hearts
Beating side by side
The sound of one love
That neither one can hide

sábado, 11 de novembro de 2017

Lembram-se da Lúcia...?

... perguntava eu no post anterior. Pois que me cruzei com ela no Porto num dos retornos entre Matosinhos e Leixões. E desta vez reconheceu-me e fez-me uma grande festa! Ela ia com uns bons 2km de avanço para mim pelo que achei que dado o andamento com que ela ia estaria a fazer a Family Race
 
À passagem dos 31km lá estava ela noutro retorno. Não havia dúvidas: mais uma futura Maratonista a caminho de completar a sua estreia na distância! Aqui ela não me viu.

Depois da prova "encontrei-a". O que é que ela me diz? Qualquer coisa como:
"Foste só fazer a Family Race, não foi? É que desta vez não me ultrapassaste! 😃"

Ah malandra, em Évora não perdes pela demora! Não deixa de ser curioso: eu terminei as duas meias maratonas em que nos encontrámos (Castelo Branco e Coimbra) à frente dela - e em Castelo Branco até foi com uma boa margem - mas agora na maratona ela acabou cerca de 20 minutos à minha frente. Não faço este comentário com qualquer interesse competitivo, mas apenas para mostrar que não existem mesmo duas provas iguais. Uma pessoa pode não ter velocidade suficiente para fazer os 10km em 40 minutos mas ter a resistência física e mental para fazer uma Maratona em 4 horas sem stress.

Ao contrário do que estava previsto não corri na 5a. Ando às voltas com um stress que espero que se resolva em breve e desde que o carro foi para um resort de luxo na oficina - do qual só deve fazer check-out lá para o Natal quando as seguradoras eventualmente se entenderem sobre quem me paga o arranjo - que tenho feito diariamente a pé mais 2,5km a 3km do que fazia antes. São precisamente os quilómetros que fazia de carro na rotina matinal e ao final do dia. Foi uma boa recuperação activa. Talvez treine no domingo, talvez faça uma semana completa de repouso. Veremos. Tenho é a certeza que não vou entrar no marasmo que foi no ano passado depois da Maratona onde me deixei andar à deriva sem objectivos.

Entretanto aquele calo que me preocupou calou-se mesmo.
E já só estou a escrever para encher chouriços. Está bom assim, não mexe mais.

Bom fim de semana, bons treinos, votos de muitas castanhas assadas e "always watch good moves".

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Maratona do Porto 2017

Tal como no ano passado, vou demorar bastante tempo a escrever este post. Se por um lado as emoções estão ainda todas à flor da pele, por outro lado ainda me dói a mão esquerda graças ao senhor - um dos muitos, diga-se - que estava a apoiar os atletas à beira da estrada ali por volta do km 37/38. Ele aplaudia e eu, como fiz com outros espectadores activos, estiquei-lhe a mão para lhe dar 5. Ele não só deu 5 como me agarrou a mão com toda a força enquanto gritava o meu nome e o do colega que ia ao meu lado e nos chamava de campeões e dizia que estávamos quase a acabar. E isto prolongou-se por o que me pareceu uns bons 500 metros. Ele parado no passeio a agarrar-me a mão e eu a correr e a deixá-la - juntamente com o resto do braço - para trás. Eventualmente consegui ir lá buscá-la.

A preparação para a segunda Maratona teve altos e baixos. As leituras, o início do plano de treinos e a motivação para repetir a experiência do ano anterior contrastaram com um corte feio no dedo (a cicatriz ainda cá está) e com um acidente de carro (o carro ainda não está cá) ao qual se juntou uma desmotivação de três semanas e uma consequente perda de ritmo que me fez também perder os dois treinos mais longos que o plano indicava. Isto fez com que este treino de 25km tenha sido o meu mais longo. Mesmo assim foi muito melhor que no ano passado onde fiz imensos treinos de 20 e de 21kms mas nunca fiz distâncias maiores. Eventualmente deu-se o click para regressar aos treinos e no meio de tantas palavras de incentivo que recebi a inspiração chegou daqui numa altura em que eu estava a um passinho de tentar meter o meu dorsal à venda. Agradecimentos públicos feitos.

Mas como esta Maratona parecia estar enguiçada na 6a feira começou a desenhar-se outro contratempo que se veio a confirmar no sábado de manhã. A partida foi adiada das 9:00 para as 10:30 e arranquei incompleto rumo ao Porto na companhia de um colega de equipa - estreante na prova - e da namorada. E lá fomos... Tendo já a experiência do ano anterior acabei por ser o cicerone e definir eu os passos a dar. Primeira paragem: Alfândega do Porto.



Assim que entrámos damos de caras com o outro maratonista da equipa que tinha ido de autocarro e que estava de saída depois de já ter almoçado. Segundos depois chega o quarto elemento da equipa, o que ia fazer a Family Race. Combinado não tinha corrido melhor e deu para tirarmos algumas fotos de equipa ali. Levantar os dorsais foi bastante fácil e todo o espaço está muito bem organizado, algo que não me surpreendeu. E isto começou a deixá-los muito entusiasmados. Comentavam comigo que ali se vivia e respirava desporto, se sentia um ambiente único e que toda a gente caminhava orgulhosa de saco e dorsal nas mãos como se estivessem a preparar-se para vencer a prova. Foi o primeiro embate com a grandeza e a emoção da Maratona.


A Pasta Party também foi novidade para mim porque não tinha lá estado em 2016 e cumpriu a 100% com as expectativas. Fosse pelo adiantado da hora ou pela qualidade e quantidade do repasto, ficámos muito satisfeitos e cheios de hidratos de carbono. Pelo meio fomos vendo o que oferecia a Feira da Maratona, recebemos uns brindes e ainda deu para me cruzar com alguns amigos, mas muitos outros ficaram por encontrar nesta altura. Era hora de rumar a outras paragens: eu para o hotel em Matosinhos, eles para casa de um amigo no Porto.

Foi nesta altura que tentei não ficar deprimido. No ano passado esta parte do fim de semana foi passada com imensa companhia, no sábado fiquei sozinho. Até no hotel acharam estranho! Check-in feito foi altura para descansar um pouco e preparar as coisas para o dia seguinte. Notei então que na mochila não estava o meu mini envelope onde guardo os alfinetes de dama e quando levantei o dorsal não tirei nenhuns. Felizmente tinha os Go Grip que foram oferecidos na Scalabis e desta vez até achei muito mais simples colocá-los. Mini stress resolvido. Apesar de ter almoçado tarde decidi que ia jantar relativamente cedo. Antes disso dei uma volta pela cidade a tentar recordar-me das ruas e acabei por jantar um belo peixe assado antes de percorrer a zona junto à praia de Matosinhos rumo à rotunda da Anémona. Foi ali que tirei um momento de reflexão, à luz da lua, enquanto conversava com quem estava à distância e com quem ia fazer a prova no dia seguinte. Sozinho, mas sempre acompanhado dentro do possível.



Na manhã seguinte cheguei bem cedo ao pequeno almoço e como era de esperar encontrei outros atletas e rapidamente metemos conversa uns com os outros. A boa disposição reinava. O meu colega de equipa avisou-me que já estava próximo da partida e lá fui eu ter com ele. Últimos detalhes, um ligeiro engano porque entrámos na onda da Family Race mas rapidamente fomos para o sítio certo. Antes das últimas despedidas perguntei à namorada dele se ela estava pronta. Disse-me que sim, que ia procurar uma esplanada e que seria muito tranquilo ficar à nossa espera. Ela nem tinha noção do que seriam as próximas horas. E lá vamos nós, por capítulos novamente.

Capítulo 1 - dos 0 aos 12kms

Mesmo antes da partida vi umas camisolas familiares e ainda consegui rapidamente cumprimentar o Carlos o que fez com que perdesse momentaneamente de vista o meu colega. Encontrei-o à passagem do primeiro km ao mesmo tempo que vi o nosso outro colega dos 15km. Fomos todos juntos e isso ajudou imenso a passar esta fase inicial. Não havia nervos, havia boa disposição e um lema que ele gritava de vez em quando: "Hoje ninguém desiste!" Também foi bom vermos caras conhecidas nos primeiros retornos. Era um mar de gente ainda atrás de nós e uma moldura humana enorme a apoiar. Ele também gritava "Façam baruuulhoooooooo!" e acabou por perceber que - palavras dele - fez a prova com alguém que ainda faz mais barulho que ele. Ah pois é, a partir de certa altura quem puxava pelo público - mesmo sem ser preciso - era eu.

Não tínhamos combinado nenhuma estratégia. Ele - algo ingenuamente - disse-me que podia ajudar-me a manter o ritmo até meio da prova para eu depois seguir sozinho. Também dizia que queria chegar aos 35km em 5 horas o que lhe deixava uma hora para fazer o resto a caminhar. Eu a única vez que falei de tempos foi quando vimos a bandeira das 4h30m atrás de nós num retorno e lhe disse que era porreiro não deixarmos que eles nos apanhassem. E assim fomos os três até aos 12km. Só havia uma breve separação nos abastecimentos e a seguir reagrupávamos. Ao chegar à rotunda da Anémona a namorada dele lá estava pronta para umas fotos e foi um bom bocado a correr por fora do gradeamento para nos apanhar. Decidimos abrandar e demos um grande abraço de grupo antes da separação das provas. O nosso colega dos 15km ia muito bem e em homenagem à nossa companhia fez a parte dele nos kms finais e manteve o ritmo que íamos a fazer.

Capítulo 2 - dos 12kms aos 21kms

Eu não queria repetir o texto de 2016, mas a verdade é que há muitas semelhanças. A partir dos 12km começa outra aventura e lá não há "misturas" entre atletas que competem por objectivos diferentes. O volume de apoio na estrada também é menor, mas mantém-se constante e volta a atingir um pico ao chegar à Ponte Dom Luiz. Dei por mim a dar-lhe imensas das dicas que tinha recebido em 2016 e ele ia ouvindo com muita atenção tal como eu o tinha feito na altura. Senti-me bem com isso. Disse a um espectador que estava no passeio para não sair dali que nós íamos só até à Afurada e já voltávamos. O ritmo mantinha-se estável, ambos tranquilos, nem sempre muito conversadores entre nós mas a apreciar tudo à nossa volta e a interagir qb com outros atletas que também se metiam connosco. Rimos com alguns cartazes de apoio mais personalizados e aguardávamos por ver os primeiros classificados a passar em sentido contrário. Quando isso aconteceu deu para perceber que o eventual vencedor tinha uma distância brutal para o segundo classificado. Nos retornos em Matosinhos também fiz questão de dar força à malta do Correr Lisboa que via do outro lado e também havia uma claque à beira da estrada nesta zona. A certa altura íamos lado a lado e ele desvia-se para deixar passar uma atleta pelo meio de nós. Ela muito timidamente disse que não queria passar, estava só a aproveitar o nosso ritmo. Pediu desculpa e depois sim passou por nós. Mal sabíamos que ainda haveríamos de fazer mais de 10km juntos. Ontem tínhamos feito esta zona de carro e dizia-me ele que o reconhecimento do percurso estava a ajudar. Porreiro. Também me ri quando passamos pelo primeiro abastecimento em que havia esponjas: "Esponjas? O N. disse-me que não, portanto não!"

Na passagem pela ponte peço palmas e alguém grita o meu nome - lido no dorsal - e depois grita o meu nome completo - lido nas costas da camisola. É disto que eu gosto.


E toca a fazer mais barulho que hoje ninguém desiste!
Apesar deste lema à passagem dos 21km - em 2:07:30 - ele diz-me para eu seguir que ele ia começar a correr mais lento a 6 e qualquer coisa. E eu segui pela primeira vez sem o meu companheiro de aventura.


Capítulo 3 - dos 21km aos 32km 

Nem 500 metros depois ele aparece ao meu lado. E ao nosso lado está também uma cara familiar: a Natasha que há uns quilómetros atrás nos tinha ultrapassado. Lá se quebrou o gelo e ela perguntou se não nos importávamos de a ter ali. Claro que não. "Vamos a um ritmo tranquilo, vem connosco!" dizia ele. E veio. Em conversa disse que estava a fazer a primeira maratona e que tinha receio de estar a dar um passo maior que a perna. Curiosamente ele falou mais que eu sempre no sentido de a acalmar e de lhe dizer que "hoje ninguém desiste"!

Do lado de Gaia o empedrado é uma chatice e muitos tentamos fugir para o passeio sempre que possível. É claramente a zona mais complicada em termos de piso e é desgastante quando já vamos com metade da prova nas pernas. Eu comecei a sentir o vento frio e desesperava por qualquer raio de sol por mais ínfimo que fosse. Fora o vento a temperatura esteve bastante agradável a rondar os 15 ou 16 graus mas nas zonas de sombra a diferença notava-se. Do lado de lá da estrada passava o nosso maratonista-quase-queniano/etíope que se mantinha estável à frente dos marcadores de ritmo das 3h30m. Um high-5 e uma rápidas trocas de palavras de incentivo. Nesta altura já só pensava em sair dali e voltar ao outro lado do rio e aqueles quilómetros custaram bastante. Ainda me cruzei também com o João Lima e mais à frente com os restantes membros dos 4 ao KM: a Isa (primeiro) e o Vítor (depois). Penso que havia outro elemento em prova, mas não me cruzei com ele ou não o reconheci. Também o João me deu palavras de ânimo e disse-me que eu ia com bom andamento.

De facto, só fiquei um pouco para trás mesmo antes de sairmos de Gaia numa altura em que tomei o segundo - e último - gel. Foi um pelos 16km e outro pelos 28km. Tinha em mente um último aos 35km mas prescindi dele. Logo a seguir já estava à frente do duo dinâmico de estreantes que foi a certa altura a marcar o ritmo à minha frente. Que fique registado que toda a prova foi feita em total entre-ajuda e a única vantagem que eu tinha era a experiência de já ter completado uma Maratona e consegui reagir de forma mais ponderada em alguns momentos de maior quebra, daí que depois da ponte já estivesse eu novamente à frente a tentar puxar por eles. Só depois do abastecimento dos 30km me apercebi que já éramos quatro. A nossa companheira de viagem tinha um amigo à espera dela após a travessia da ponte para o lado do Porto. Pelo que nos disseram ele não faz mais que 20km portanto ficou decidido que ele a iria acompanhar dali até ao final da prova. E lá fomos os quatro até aos 32km. "Agora é um treininho até à meta!"

Capítulo 4 - dos 32kms aos 42km

A passagem pelo túnel da Ribeira é um marco da prova. Ali vamos com 32km mais coisa menos coisa. Lá dentro temos várias televisões e colunas a bombar música inspiradora, no caso a theme song do filme Chariots of Fire. Aproximei-me das imagens e tentar absorver aquele momento para me dar força para a parte final da prova. Pouco depois tivemos mesmo que caminhar pela primeira vez. No meu caso o problema nem eram as pernas, mas sim as costas. Estava com dores num misto de má postura provocada pelo cansaço com o vento frio a bater-me na camisola transpirada e que me causou umas pontadas. No caso dele eram mesmo as pernas que já estavam a dar as últimas. Passámos a adoptar definitivamente a estratégia de chegar ao próximo abastecimento e reavaliar a situação. Foi quando passa por nós o grupo que vinha com as bandeiras das 4h30m. Olhámos um para o outro e decidimos tentar ir atrás deles, algo que conseguimos durante um quilómetro, talvez. Eles seguiram à sua vida e nós continuámos até aos 35km. A paragem aqui terá sido mais longa do que o ideal. A mim não me custou mas a ele já foi mais difícil voltar a correr. O conselho de nunca parar mantém-se mas isto na teoria é sempre mais fácil, não é?

A partir daqui a estratégia foi correr um quilómetro e caminhar outro. Ou pelo menos caminhar o suficiente para recuperar energia. Foi também por causa disto que decidi que já nem valia a pena tomar um gel porque iria fazer parte do percurso até ao fim a andar. A certa altura vejo-o a coxear e pergunto-lhe se tinha começado só agora. "Achas? Eu já venho todo fodido desde lá de baixo, pá!" responde-me ele mas sempre a sorrir.

Eu via lá à frente um quarteto com camisolas do Correr Lisboa. Queria tentar apanhar essa boleia porque sabia que seria impecável para seguirmos até ao fim. Não deu, mas não fez mal. Nesta fase era só gerir o esforço, ambos concordámos que demorar mais 10 ou menos 10 minutos era secundário. E ele já tinha chegado aos 35km bem antes das 5 horas de prova, já estava feliz da vida por ter cumprido esse objectivo.

Daqui para a frente o pessoal à beira da estrada bem como os outros atletas que estavam na mesma luta que nós foram importantes para dar apoio, para motivar, para conversar um pouco. Aos 38km, já nem sei se antes ou depois do meu incidente com a mão, um outro senhor dizia que chegar aqui já era para campeões. E numa altura em que íamos a andar passam duas atletas que puxam por nós. Eu respondo que era poupança de esforço para caminharmos ali e correr mais próximo da meta onde toda a gente estava a ver! Ele já se estava a arrastar um bocado mas com estes momentos de interacção ia animando e rindo com os meus comentários. No final da prova uma coisa que ele disse invejar de forma salutar foi a quantidade de pessoas com quem falei e/ou que me reconheceram nos retornos. E também ele ganhava ânimo com isso e tomava a iniciativa de aumentarmos o passo.

Decisão final: caminhar até ao km 41 e correr no último. Já era eu que tinha que o mentalizar que a meta estava mesmo ali. E que a namorada dele estava lá à espera. E que para além disso tínhamos todo um grupo a seguir a nossa corrida na app e ansiosos por nos "ver" chegar ao final. Ele só acreditou nesta parte algumas horas depois. O forcing final também coincidiu com a passagem por uma claque do Correr Lisboa que estava à entrada do último quilómetro. Foi fantástico! Para além disso ele sabia que íamos terminar a subir, mas eu disse-lhe que podia ignorar esse parte porque do lado de fora das grades viria barulho suficiente para nos levar ao colo. Fiz questão de começar a pedir barulho logo ali e o melhor estava para vir quando vemos a namorada dele do lado de dentro do gradeamento a 500 metros do final, de telemóvel em punho a filmar-nos. Se ela tinha visto crianças, esposas e até animais de estimação a terminar com os atletas então quis fazer o mesmo. Não sei se o sprint maior foi o dela ou o nosso, mas só a 50 metros da meta é que ela não nos conseguiu acompanhar. Tempo suficiente para darmos um high-5 e um forte abraço antes de saltarmos para a meta e terminarmos a prova em êxtase total. Este final livrou-me de boa porque a minha ideia era tentar pegar no telemóvel e filmar eu em directo e sabia que isso significava um final em lágrimas. Assim o soluçar de choro ficou apenas do lado de lá da linha no telefonema que fiz segundos depois de acabar. Eu estava feliz, ele estava morto, ela estava mais eufórica que nós! E ainda nem sabíamos a versão dela que foi tudo menos tranquila.

O único momento calmo foi desde que nos viu passar aos 12km até estarmos na zona da Meia Maratona. Nessa altura as solicitações já eram tantas que ela estava entre a rede social e a app sem nunca tirar os olhos da estrada. E nós ainda tínhamos só entrado em Gaia e já lhe pediam notícias da meta! Gente louca esta que nos acompanhou - sem nunca deixar queimar o almoço - e que ainda teve tempo para fazer um treino de manhã. São os maiores! 42,195 obrigados! E alguns estarão no Porto para o ano, é certinho!

Depois disto vinham os momentos habituais, mas colocarem-nos a medalha ao pescoço foi o mais especial. Começámos e acabámos juntos e embora ele me tivesse dito algumas vezes nos quilómetros e até nos metros finais que eu podia e devia acelerar para ainda fazer um tempo melhor isso nunca me passou pela cabeça. A amizade aqui era o mais importante, tal como tinha acontecido comigo no ano anterior. E, já agora, recordo que na altura ter ficado sozinho foi a melhor opção!

Brindes recebidos e o ponto alto da gravação da medalha - ambas as medalhas neste caso. Não sei se ele vai voltar a fazer uma Maratona. Isto é uma prova que depois de fazer ou se adora ou se odeia.

No regresso a casa foi altura de contar todas as 1001 histórias de quem viveu a prova por dentro e por fora. Foi altura de rir com muito do que foi escrito por quem nos acompanhou, foi altura de começar a ver fotos e tempos de muitos amigos. E reacções e comentários e mensagens de parabéns. Foi altura de recordar os bons e maus momentos que ficarão para sempre guardados na nossa mente.

Tenho a certeza que já me lembrei e esqueci de muitos detalhes com que vos iria continuar a aborrecer e que prolongariam este texto até à Maratona de 2018 - ou pelo menos até à abertura das inscrições. Por falar nisso, já nos podemos voltar a inscrever? Eu não sei se ele vai voltar a repetir uma Maratona. Aceitou o desafio para esta mas não é a praia dele. No meu caso não tenho dúvidas que voltarei a estar na linha de partida, corrigindo erros do passado e aceitando que nem sempre a preparação corre como nós gostaríamos mas sempre com a certeza de correr feliz durante a maior parte da prova e de terminar orgulhoso do que farei independentemente do que marcar o relógio.

Desculpem, acho que falhei a promessa que fiz em 2016 de não escrever tanto na Maratona seguinte.

Seguem-se uns dias de recuperação activa que já incluíram subir até ao 5º andar do escritório onde trabalho por problemas nos elevadores e uma boa caminhada depois do trabalho por problemas da Carris. O regresso aos treinos está marcado para 5a feira. O regresso à escrita está marcado para breve com uma pequena curiosidade - ou mais se me lembrar entretanto - sobre a Maratona. Lembram-se da Lúcia que tenho encontrado nas Running Wonders? Pois.

Próxima paragem: Meia Maratona de Évora, dia 26 de Novembro!

Prova nº 70 - Maratona do Porto - 42km - 4:40:34  

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Até já, Porto!

Último treino antes da grande prova. Últimas palavras de apoio da malta que fica por cá a torcer à distância via rede social, via app oficial da prova, por telepatia, via pombos-correio... Enfim, de todas as maneiras possíveis e imaginárias.

Está tudo feito. Tudo menos apresentar a música que me tem dado o ânimo final nestas últimas semanas. Se no ano passado a minha paixão era - e ainda é - a Sia, este ano apresento um estilo mais potente, menos polido talvez, mas com muita potência. E é uma forma também de canalizar todo o apoio que tenho recebido e que me vai fazer chegar à linha de partida com a motivação necessária para ter energia para chegar aos 42km. Porque os últimos 195 metros já não são feitos com as pernas, são feitos com o coração!


"Feel Invencible"
Skillet

Target on my back
Lone survivor lasts
They got me in their sights
No surrender no
Trigger fingers go
Living the dangerous life

Hey, hey, hey
Everyday when I wake
I'm trying to get up, they're knocking me down
Chewing me up, spitting me out
Hey, hey, hey
When I need to be saved
You're making me strong, you're making me stand
Never will fall, never will end
Shot like a rocket up into the sky
Nothing could stop me tonight

You make me feel invincible
Earthquake, powerful
Just like a tidal wave
You make me brave
You're my titanium
Fight song, raising up
Like a roar of victory in a stadium
Who can touch me cause I'm
I'm made of fire
Who can stop me tonight
I'm hard wired
You make me feel invincible

I feel, I feel it
Invincible
I feel, I feel it
Invincible

Here we go again
I will not give in
I've got a reason to fight
Every day we choose
We might win or lose
This is the dangerous life

Hey, hey, hey
Everyday when I wake
They say that I'm gone; they say that they've won
The bell has been rung, it's over and done
Hey, hey, hey
When I need to be saved
They counting me out, but this is my round
You in my corner; look at me now
Shot like a rocket up into the sky
Nothing could stop me tonight

You make me feel invincible
Earthquake, powerful
Just like a tidal wave
You make me brave
You're my titanium
Fight song, raising up
Like a roar of victory in a stadium
Who can touch me cause I'm
I'm made of fire
Who can stop me tonight
I'm hard wired
You make me feel invincible

I feel, I feel it
Invincible
I feel, I feel it
Invincible

You make me feel invincible
You make me feel invincible
Shot like a rocket up into the sky
Not gonna stop
Invincible

You make me feel invincible
Earthquake, powerful
Just like a tidal wave
You make me brave
You're my titanium
Fight song, raising up
Like a roar of victory in a stadium

You make me feel invincible
Earthquake, powerful
Just like a tidal wave
You make me brave
You're my titanium
Fight song, raising up
Like a roar of victory in a stadium
Who can touch me cause I'm
I'm made of fire
Who can stop me tonight
I'm hard wired
You make me feel invincible

I feel, I feel it
Invincible
I feel, I feel it
Invincible