quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Lamb

As idas ao Coliseu de Lisboa começam a ser quase tão frequentes como as idas a provas. E raramente tem sido uma visita que me desilude!

Esta noite vivi novamente uma viagem ao passado como tantas outras já vividas naquele mesmo espaço. Para os Lamb foi uma viagem de 21 anos, para mim menos uns quantos já que os devo ter começado a ouvir algures na viragem do milénio e cujo percurso na minha existência tinha tido o seu ponto alto em Dezembro de 2003 quando se apresentaram no Pavilhão Atlântico num concerto (mais ou menos) intimista em que o palco estava chegado o mais à frente possível e estariam lá cerca de 3000 pessoas. A primeira parte foi do Damien Rice, já agora.

Hoje acordei com a notícia que me tinha caído nas mãos a possibilidade de ir ver o concerto e uma pessoa até vai trabalhar mais bem disposta. Hoje foi dia para esquecer as preocupações recentes que a vida tem trazido e poder relaxar um pouco.

Nesta viagem que começou lá bem no passado e foi gradualmente chegando aos tempos actuais, o que mais gostei foi ali o ponto intermédio. Foi ali que me senti mais confortável a ouvir a voz maravilhosa da Lou Rhodes a contrastar com a energia do Andy Barlow.


Quando se fala de Lamb o mais natural é que se pense no Gabriel, mas a minha música favorita continua a ser o Gorecki que já aqui tinha deixado no blog. Pois que para não me repetir deixo outra que me toca ao coração. Não é do concerto de Lisboa, mas também é ao vivo, pronto. E fico por aqui, que eu não escrevo sobre música da mesma maneira que escrevo sobre provas mas que não haja dúvidas que são duas coisas sem as quais não vivo.




"What Sound"
Lamb

What is that sound
Ringing in my ears
The strangest sound
I've heard for years and years
The sound of two hearts
Beating side by side
The sound of one love
That neither one can hide

 
The sound that makes the world go round
The sound that makes the world go round

 
What is that sound
Running round my head
Funny I thought
That part was long since dead
But now there's new life
Crossing through my veins
Because there's someone
To make it beat again

 
The sound that makes the world go round
The sound that makes the world go round
The sound that makes the world go round
The sound that makes the world go round

 
What is that sound
Ringing in my ears
The strangest sound
I've heard for years and years
The sound of two hearts
Beating side by side
The sound of one love
That neither one can hide

sábado, 11 de novembro de 2017

Lembram-se da Lúcia...?

... perguntava eu no post anterior. Pois que me cruzei com ela no Porto num dos retornos entre Matosinhos e Leixões. E desta vez reconheceu-me e fez-me uma grande festa! Ela ia com uns bons 2km de avanço para mim pelo que achei que dado o andamento com que ela ia estaria a fazer a Family Race
 
À passagem dos 31km lá estava ela noutro retorno. Não havia dúvidas: mais uma futura Maratonista a caminho de completar a sua estreia na distância! Aqui ela não me viu.

Depois da prova "encontrei-a". O que é que ela me diz? Qualquer coisa como:
"Foste só fazer a Family Race, não foi? É que desta vez não me ultrapassaste! 😃"

Ah malandra, em Évora não perdes pela demora! Não deixa de ser curioso: eu terminei as duas meias maratonas em que nos encontrámos (Castelo Branco e Coimbra) à frente dela - e em Castelo Branco até foi com uma boa margem - mas agora na maratona ela acabou cerca de 20 minutos à minha frente. Não faço este comentário com qualquer interesse competitivo, mas apenas para mostrar que não existem mesmo duas provas iguais. Uma pessoa pode não ter velocidade suficiente para fazer os 10km em 40 minutos mas ter a resistência física e mental para fazer uma Maratona em 4 horas sem stress.

Ao contrário do que estava previsto não corri na 5a. Ando às voltas com um stress que espero que se resolva em breve e desde que o carro foi para um resort de luxo na oficina - do qual só deve fazer check-out lá para o Natal quando as seguradoras eventualmente se entenderem sobre quem me paga o arranjo - que tenho feito diariamente a pé mais 2,5km a 3km do que fazia antes. São precisamente os quilómetros que fazia de carro na rotina matinal e ao final do dia. Foi uma boa recuperação activa. Talvez treine no domingo, talvez faça uma semana completa de repouso. Veremos. Tenho é a certeza que não vou entrar no marasmo que foi no ano passado depois da Maratona onde me deixei andar à deriva sem objectivos.

Entretanto aquele calo que me preocupou calou-se mesmo.
E já só estou a escrever para encher chouriços. Está bom assim, não mexe mais.

Bom fim de semana, bons treinos, votos de muitas castanhas assadas e "always watch good moves".

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Maratona do Porto 2017

Tal como no ano passado, vou demorar bastante tempo a escrever este post. Se por um lado as emoções estão ainda todas à flor da pele, por outro lado ainda me dói a mão esquerda graças ao senhor - um dos muitos, diga-se - que estava a apoiar os atletas à beira da estrada ali por volta do km 37/38. Ele aplaudia e eu, como fiz com outros espectadores activos, estiquei-lhe a mão para lhe dar 5. Ele não só deu 5 como me agarrou a mão com toda a força enquanto gritava o meu nome e o do colega que ia ao meu lado e nos chamava de campeões e dizia que estávamos quase a acabar. E isto prolongou-se por o que me pareceu uns bons 500 metros. Ele parado no passeio a agarrar-me a mão e eu a correr e a deixá-la - juntamente com o resto do braço - para trás. Eventualmente consegui ir lá buscá-la.

A preparação para a segunda Maratona teve altos e baixos. As leituras, o início do plano de treinos e a motivação para repetir a experiência do ano anterior contrastaram com um corte feio no dedo (a cicatriz ainda cá está) e com um acidente de carro (o carro ainda não está cá) ao qual se juntou uma desmotivação de três semanas e uma consequente perda de ritmo que me fez também perder os dois treinos mais longos que o plano indicava. Isto fez com que este treino de 25km tenha sido o meu mais longo. Mesmo assim foi muito melhor que no ano passado onde fiz imensos treinos de 20 e de 21kms mas nunca fiz distâncias maiores. Eventualmente deu-se o click para regressar aos treinos e no meio de tantas palavras de incentivo que recebi a inspiração chegou daqui numa altura em que eu estava a um passinho de tentar meter o meu dorsal à venda. Agradecimentos públicos feitos.

Mas como esta Maratona parecia estar enguiçada na 6a feira começou a desenhar-se outro contratempo que se veio a confirmar no sábado de manhã. A partida foi adiada das 9:00 para as 10:30 e arranquei incompleto rumo ao Porto na companhia de um colega de equipa - estreante na prova - e da namorada. E lá fomos... Tendo já a experiência do ano anterior acabei por ser o cicerone e definir eu os passos a dar. Primeira paragem: Alfândega do Porto.



Assim que entrámos damos de caras com o outro maratonista da equipa que tinha ido de autocarro e que estava de saída depois de já ter almoçado. Segundos depois chega o quarto elemento da equipa, o que ia fazer a Family Race. Combinado não tinha corrido melhor e deu para tirarmos algumas fotos de equipa ali. Levantar os dorsais foi bastante fácil e todo o espaço está muito bem organizado, algo que não me surpreendeu. E isto começou a deixá-los muito entusiasmados. Comentavam comigo que ali se vivia e respirava desporto, se sentia um ambiente único e que toda a gente caminhava orgulhosa de saco e dorsal nas mãos como se estivessem a preparar-se para vencer a prova. Foi o primeiro embate com a grandeza e a emoção da Maratona.


A Pasta Party também foi novidade para mim porque não tinha lá estado em 2016 e cumpriu a 100% com as expectativas. Fosse pelo adiantado da hora ou pela qualidade e quantidade do repasto, ficámos muito satisfeitos e cheios de hidratos de carbono. Pelo meio fomos vendo o que oferecia a Feira da Maratona, recebemos uns brindes e ainda deu para me cruzar com alguns amigos, mas muitos outros ficaram por encontrar nesta altura. Era hora de rumar a outras paragens: eu para o hotel em Matosinhos, eles para casa de um amigo no Porto.

Foi nesta altura que tentei não ficar deprimido. No ano passado esta parte do fim de semana foi passada com imensa companhia, no sábado fiquei sozinho. Até no hotel acharam estranho! Check-in feito foi altura para descansar um pouco e preparar as coisas para o dia seguinte. Notei então que na mochila não estava o meu mini envelope onde guardo os alfinetes de dama e quando levantei o dorsal não tirei nenhuns. Felizmente tinha os Go Grip que foram oferecidos na Scalabis e desta vez até achei muito mais simples colocá-los. Mini stress resolvido. Apesar de ter almoçado tarde decidi que ia jantar relativamente cedo. Antes disso dei uma volta pela cidade a tentar recordar-me das ruas e acabei por jantar um belo peixe assado antes de percorrer a zona junto à praia de Matosinhos rumo à rotunda da Anémona. Foi ali que tirei um momento de reflexão, à luz da lua, enquanto conversava com quem estava à distância e com quem ia fazer a prova no dia seguinte. Sozinho, mas sempre acompanhado dentro do possível.



Na manhã seguinte cheguei bem cedo ao pequeno almoço e como era de esperar encontrei outros atletas e rapidamente metemos conversa uns com os outros. A boa disposição reinava. O meu colega de equipa avisou-me que já estava próximo da partida e lá fui eu ter com ele. Últimos detalhes, um ligeiro engano porque entrámos na onda da Family Race mas rapidamente fomos para o sítio certo. Antes das últimas despedidas perguntei à namorada dele se ela estava pronta. Disse-me que sim, que ia procurar uma esplanada e que seria muito tranquilo ficar à nossa espera. Ela nem tinha noção do que seriam as próximas horas. E lá vamos nós, por capítulos novamente.

Capítulo 1 - dos 0 aos 12kms

Mesmo antes da partida vi umas camisolas familiares e ainda consegui rapidamente cumprimentar o Carlos o que fez com que perdesse momentaneamente de vista o meu colega. Encontrei-o à passagem do primeiro km ao mesmo tempo que vi o nosso outro colega dos 15km. Fomos todos juntos e isso ajudou imenso a passar esta fase inicial. Não havia nervos, havia boa disposição e um lema que ele gritava de vez em quando: "Hoje ninguém desiste!" Também foi bom vermos caras conhecidas nos primeiros retornos. Era um mar de gente ainda atrás de nós e uma moldura humana enorme a apoiar. Ele também gritava "Façam baruuulhoooooooo!" e acabou por perceber que - palavras dele - fez a prova com alguém que ainda faz mais barulho que ele. Ah pois é, a partir de certa altura quem puxava pelo público - mesmo sem ser preciso - era eu.

Não tínhamos combinado nenhuma estratégia. Ele - algo ingenuamente - disse-me que podia ajudar-me a manter o ritmo até meio da prova para eu depois seguir sozinho. Também dizia que queria chegar aos 35km em 5 horas o que lhe deixava uma hora para fazer o resto a caminhar. Eu a única vez que falei de tempos foi quando vimos a bandeira das 4h30m atrás de nós num retorno e lhe disse que era porreiro não deixarmos que eles nos apanhassem. E assim fomos os três até aos 12km. Só havia uma breve separação nos abastecimentos e a seguir reagrupávamos. Ao chegar à rotunda da Anémona a namorada dele lá estava pronta para umas fotos e foi um bom bocado a correr por fora do gradeamento para nos apanhar. Decidimos abrandar e demos um grande abraço de grupo antes da separação das provas. O nosso colega dos 15km ia muito bem e em homenagem à nossa companhia fez a parte dele nos kms finais e manteve o ritmo que íamos a fazer.

Capítulo 2 - dos 12kms aos 21kms

Eu não queria repetir o texto de 2016, mas a verdade é que há muitas semelhanças. A partir dos 12km começa outra aventura e lá não há "misturas" entre atletas que competem por objectivos diferentes. O volume de apoio na estrada também é menor, mas mantém-se constante e volta a atingir um pico ao chegar à Ponte Dom Luiz. Dei por mim a dar-lhe imensas das dicas que tinha recebido em 2016 e ele ia ouvindo com muita atenção tal como eu o tinha feito na altura. Senti-me bem com isso. Disse a um espectador que estava no passeio para não sair dali que nós íamos só até à Afurada e já voltávamos. O ritmo mantinha-se estável, ambos tranquilos, nem sempre muito conversadores entre nós mas a apreciar tudo à nossa volta e a interagir qb com outros atletas que também se metiam connosco. Rimos com alguns cartazes de apoio mais personalizados e aguardávamos por ver os primeiros classificados a passar em sentido contrário. Quando isso aconteceu deu para perceber que o eventual vencedor tinha uma distância brutal para o segundo classificado. Nos retornos em Matosinhos também fiz questão de dar força à malta do Correr Lisboa que via do outro lado e também havia uma claque à beira da estrada nesta zona. A certa altura íamos lado a lado e ele desvia-se para deixar passar uma atleta pelo meio de nós. Ela muito timidamente disse que não queria passar, estava só a aproveitar o nosso ritmo. Pediu desculpa e depois sim passou por nós. Mal sabíamos que ainda haveríamos de fazer mais de 10km juntos. Ontem tínhamos feito esta zona de carro e dizia-me ele que o reconhecimento do percurso estava a ajudar. Porreiro. Também me ri quando passamos pelo primeiro abastecimento em que havia esponjas: "Esponjas? O N. disse-me que não, portanto não!"

Na passagem pela ponte peço palmas e alguém grita o meu nome - lido no dorsal - e depois grita o meu nome completo - lido nas costas da camisola. É disto que eu gosto.


E toca a fazer mais barulho que hoje ninguém desiste!
Apesar deste lema à passagem dos 21km - em 2:07:30 - ele diz-me para eu seguir que ele ia começar a correr mais lento a 6 e qualquer coisa. E eu segui pela primeira vez sem o meu companheiro de aventura.


Capítulo 3 - dos 21km aos 32km 

Nem 500 metros depois ele aparece ao meu lado. E ao nosso lado está também uma cara familiar: a Natasha que há uns quilómetros atrás nos tinha ultrapassado. Lá se quebrou o gelo e ela perguntou se não nos importávamos de a ter ali. Claro que não. "Vamos a um ritmo tranquilo, vem connosco!" dizia ele. E veio. Em conversa disse que estava a fazer a primeira maratona e que tinha receio de estar a dar um passo maior que a perna. Curiosamente ele falou mais que eu sempre no sentido de a acalmar e de lhe dizer que "hoje ninguém desiste"!

Do lado de Gaia o empedrado é uma chatice e muitos tentamos fugir para o passeio sempre que possível. É claramente a zona mais complicada em termos de piso e é desgastante quando já vamos com metade da prova nas pernas. Eu comecei a sentir o vento frio e desesperava por qualquer raio de sol por mais ínfimo que fosse. Fora o vento a temperatura esteve bastante agradável a rondar os 15 ou 16 graus mas nas zonas de sombra a diferença notava-se. Do lado de lá da estrada passava o nosso maratonista-quase-queniano/etíope que se mantinha estável à frente dos marcadores de ritmo das 3h30m. Um high-5 e uma rápidas trocas de palavras de incentivo. Nesta altura já só pensava em sair dali e voltar ao outro lado do rio e aqueles quilómetros custaram bastante. Ainda me cruzei também com o João Lima e mais à frente com os restantes membros dos 4 ao KM: a Isa (primeiro) e o Vítor (depois). Penso que havia outro elemento em prova, mas não me cruzei com ele ou não o reconheci. Também o João me deu palavras de ânimo e disse-me que eu ia com bom andamento.

De facto, só fiquei um pouco para trás mesmo antes de sairmos de Gaia numa altura em que tomei o segundo - e último - gel. Foi um pelos 16km e outro pelos 28km. Tinha em mente um último aos 35km mas prescindi dele. Logo a seguir já estava à frente do duo dinâmico de estreantes que foi a certa altura a marcar o ritmo à minha frente. Que fique registado que toda a prova foi feita em total entre-ajuda e a única vantagem que eu tinha era a experiência de já ter completado uma Maratona e consegui reagir de forma mais ponderada em alguns momentos de maior quebra, daí que depois da ponte já estivesse eu novamente à frente a tentar puxar por eles. Só depois do abastecimento dos 30km me apercebi que já éramos quatro. A nossa companheira de viagem tinha um amigo à espera dela após a travessia da ponte para o lado do Porto. Pelo que nos disseram ele não faz mais que 20km portanto ficou decidido que ele a iria acompanhar dali até ao final da prova. E lá fomos os quatro até aos 32km. "Agora é um treininho até à meta!"

Capítulo 4 - dos 32kms aos 42km

A passagem pelo túnel da Ribeira é um marco da prova. Ali vamos com 32km mais coisa menos coisa. Lá dentro temos várias televisões e colunas a bombar música inspiradora, no caso a theme song do filme Chariots of Fire. Aproximei-me das imagens e tentar absorver aquele momento para me dar força para a parte final da prova. Pouco depois tivemos mesmo que caminhar pela primeira vez. No meu caso o problema nem eram as pernas, mas sim as costas. Estava com dores num misto de má postura provocada pelo cansaço com o vento frio a bater-me na camisola transpirada e que me causou umas pontadas. No caso dele eram mesmo as pernas que já estavam a dar as últimas. Passámos a adoptar definitivamente a estratégia de chegar ao próximo abastecimento e reavaliar a situação. Foi quando passa por nós o grupo que vinha com as bandeiras das 4h30m. Olhámos um para o outro e decidimos tentar ir atrás deles, algo que conseguimos durante um quilómetro, talvez. Eles seguiram à sua vida e nós continuámos até aos 35km. A paragem aqui terá sido mais longa do que o ideal. A mim não me custou mas a ele já foi mais difícil voltar a correr. O conselho de nunca parar mantém-se mas isto na teoria é sempre mais fácil, não é?

A partir daqui a estratégia foi correr um quilómetro e caminhar outro. Ou pelo menos caminhar o suficiente para recuperar energia. Foi também por causa disto que decidi que já nem valia a pena tomar um gel porque iria fazer parte do percurso até ao fim a andar. A certa altura vejo-o a coxear e pergunto-lhe se tinha começado só agora. "Achas? Eu já venho todo fodido desde lá de baixo, pá!" responde-me ele mas sempre a sorrir.

Eu via lá à frente um quarteto com camisolas do Correr Lisboa. Queria tentar apanhar essa boleia porque sabia que seria impecável para seguirmos até ao fim. Não deu, mas não fez mal. Nesta fase era só gerir o esforço, ambos concordámos que demorar mais 10 ou menos 10 minutos era secundário. E ele já tinha chegado aos 35km bem antes das 5 horas de prova, já estava feliz da vida por ter cumprido esse objectivo.

Daqui para a frente o pessoal à beira da estrada bem como os outros atletas que estavam na mesma luta que nós foram importantes para dar apoio, para motivar, para conversar um pouco. Aos 38km, já nem sei se antes ou depois do meu incidente com a mão, um outro senhor dizia que chegar aqui já era para campeões. E numa altura em que íamos a andar passam duas atletas que puxam por nós. Eu respondo que era poupança de esforço para caminharmos ali e correr mais próximo da meta onde toda a gente estava a ver! Ele já se estava a arrastar um bocado mas com estes momentos de interacção ia animando e rindo com os meus comentários. No final da prova uma coisa que ele disse invejar de forma salutar foi a quantidade de pessoas com quem falei e/ou que me reconheceram nos retornos. E também ele ganhava ânimo com isso e tomava a iniciativa de aumentarmos o passo.

Decisão final: caminhar até ao km 41 e correr no último. Já era eu que tinha que o mentalizar que a meta estava mesmo ali. E que a namorada dele estava lá à espera. E que para além disso tínhamos todo um grupo a seguir a nossa corrida na app e ansiosos por nos "ver" chegar ao final. Ele só acreditou nesta parte algumas horas depois. O forcing final também coincidiu com a passagem por uma claque do Correr Lisboa que estava à entrada do último quilómetro. Foi fantástico! Para além disso ele sabia que íamos terminar a subir, mas eu disse-lhe que podia ignorar esse parte porque do lado de fora das grades viria barulho suficiente para nos levar ao colo. Fiz questão de começar a pedir barulho logo ali e o melhor estava para vir quando vemos a namorada dele do lado de dentro do gradeamento a 500 metros do final, de telemóvel em punho a filmar-nos. Se ela tinha visto crianças, esposas e até animais de estimação a terminar com os atletas então quis fazer o mesmo. Não sei se o sprint maior foi o dela ou o nosso, mas só a 50 metros da meta é que ela não nos conseguiu acompanhar. Tempo suficiente para darmos um high-5 e um forte abraço antes de saltarmos para a meta e terminarmos a prova em êxtase total. Este final livrou-me de boa porque a minha ideia era tentar pegar no telemóvel e filmar eu em directo e sabia que isso significava um final em lágrimas. Assim o soluçar de choro ficou apenas do lado de lá da linha no telefonema que fiz segundos depois de acabar. Eu estava feliz, ele estava morto, ela estava mais eufórica que nós! E ainda nem sabíamos a versão dela que foi tudo menos tranquila.

O único momento calmo foi desde que nos viu passar aos 12km até estarmos na zona da Meia Maratona. Nessa altura as solicitações já eram tantas que ela estava entre a rede social e a app sem nunca tirar os olhos da estrada. E nós ainda tínhamos só entrado em Gaia e já lhe pediam notícias da meta! Gente louca esta que nos acompanhou - sem nunca deixar queimar o almoço - e que ainda teve tempo para fazer um treino de manhã. São os maiores! 42,195 obrigados! E alguns estarão no Porto para o ano, é certinho!

Depois disto vinham os momentos habituais, mas colocarem-nos a medalha ao pescoço foi o mais especial. Começámos e acabámos juntos e embora ele me tivesse dito algumas vezes nos quilómetros e até nos metros finais que eu podia e devia acelerar para ainda fazer um tempo melhor isso nunca me passou pela cabeça. A amizade aqui era o mais importante, tal como tinha acontecido comigo no ano anterior. E, já agora, recordo que na altura ter ficado sozinho foi a melhor opção!

Brindes recebidos e o ponto alto da gravação da medalha - ambas as medalhas neste caso. Não sei se ele vai voltar a fazer uma Maratona. Isto é uma prova que depois de fazer ou se adora ou se odeia.

No regresso a casa foi altura de contar todas as 1001 histórias de quem viveu a prova por dentro e por fora. Foi altura de rir com muito do que foi escrito por quem nos acompanhou, foi altura de começar a ver fotos e tempos de muitos amigos. E reacções e comentários e mensagens de parabéns. Foi altura de recordar os bons e maus momentos que ficarão para sempre guardados na nossa mente.

Tenho a certeza que já me lembrei e esqueci de muitos detalhes com que vos iria continuar a aborrecer e que prolongariam este texto até à Maratona de 2018 - ou pelo menos até à abertura das inscrições. Por falar nisso, já nos podemos voltar a inscrever? Eu não sei se ele vai voltar a repetir uma Maratona. Aceitou o desafio para esta mas não é a praia dele. No meu caso não tenho dúvidas que voltarei a estar na linha de partida, corrigindo erros do passado e aceitando que nem sempre a preparação corre como nós gostaríamos mas sempre com a certeza de correr feliz durante a maior parte da prova e de terminar orgulhoso do que farei independentemente do que marcar o relógio.

Desculpem, acho que falhei a promessa que fiz em 2016 de não escrever tanto na Maratona seguinte.

Seguem-se uns dias de recuperação activa que já incluíram subir até ao 5º andar do escritório onde trabalho por problemas nos elevadores e uma boa caminhada depois do trabalho por problemas da Carris. O regresso aos treinos está marcado para 5a feira. O regresso à escrita está marcado para breve com uma pequena curiosidade - ou mais se me lembrar entretanto - sobre a Maratona. Lembram-se da Lúcia que tenho encontrado nas Running Wonders? Pois.

Próxima paragem: Meia Maratona de Évora, dia 26 de Novembro!

Prova nº 70 - Maratona do Porto - 42km - 4:40:34  

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Até já, Porto!

Último treino antes da grande prova. Últimas palavras de apoio da malta que fica por cá a torcer à distância via rede social, via app oficial da prova, por telepatia, via pombos-correio... Enfim, de todas as maneiras possíveis e imaginárias.

Está tudo feito. Tudo menos apresentar a música que me tem dado o ânimo final nestas últimas semanas. Se no ano passado a minha paixão era - e ainda é - a Sia, este ano apresento um estilo mais potente, menos polido talvez, mas com muita potência. E é uma forma também de canalizar todo o apoio que tenho recebido e que me vai fazer chegar à linha de partida com a motivação necessária para ter energia para chegar aos 42km. Porque os últimos 195 metros já não são feitos com as pernas, são feitos com o coração!


"Feel Invencible"
Skillet

Target on my back
Lone survivor lasts
They got me in their sights
No surrender no
Trigger fingers go
Living the dangerous life

Hey, hey, hey
Everyday when I wake
I'm trying to get up, they're knocking me down
Chewing me up, spitting me out
Hey, hey, hey
When I need to be saved
You're making me strong, you're making me stand
Never will fall, never will end
Shot like a rocket up into the sky
Nothing could stop me tonight

You make me feel invincible
Earthquake, powerful
Just like a tidal wave
You make me brave
You're my titanium
Fight song, raising up
Like a roar of victory in a stadium
Who can touch me cause I'm
I'm made of fire
Who can stop me tonight
I'm hard wired
You make me feel invincible

I feel, I feel it
Invincible
I feel, I feel it
Invincible

Here we go again
I will not give in
I've got a reason to fight
Every day we choose
We might win or lose
This is the dangerous life

Hey, hey, hey
Everyday when I wake
They say that I'm gone; they say that they've won
The bell has been rung, it's over and done
Hey, hey, hey
When I need to be saved
They counting me out, but this is my round
You in my corner; look at me now
Shot like a rocket up into the sky
Nothing could stop me tonight

You make me feel invincible
Earthquake, powerful
Just like a tidal wave
You make me brave
You're my titanium
Fight song, raising up
Like a roar of victory in a stadium
Who can touch me cause I'm
I'm made of fire
Who can stop me tonight
I'm hard wired
You make me feel invincible

I feel, I feel it
Invincible
I feel, I feel it
Invincible

You make me feel invincible
You make me feel invincible
Shot like a rocket up into the sky
Not gonna stop
Invincible

You make me feel invincible
Earthquake, powerful
Just like a tidal wave
You make me brave
You're my titanium
Fight song, raising up
Like a roar of victory in a stadium

You make me feel invincible
Earthquake, powerful
Just like a tidal wave
You make me brave
You're my titanium
Fight song, raising up
Like a roar of victory in a stadium
Who can touch me cause I'm
I'm made of fire
Who can stop me tonight
I'm hard wired
You make me feel invincible

I feel, I feel it
Invincible
I feel, I feel it
Invincible

Lembrete


Oh caraças, a sério? Já me tinha esquecido disto! E agora?
Se calhar vou ali fazer um treino longo para me preparar. 15kms chega?

Vá, falando a sério ainda na semana passada me perguntavam como é que eu estava e a minha resposta foi "estou a ficar nervoso por estar tão calmo". Hoje o caso já é diferente: estou mesmo a ficar nervoso, mas é aquele nervoso miudinho de quem quer começar a prova o mais depressa possível.

Está quase tudo pronto. Faltam só uns detalhes, daqueles que têm que ser resolvidos à última da hora mas nada de transcendente. Equipamento decidido - desde a dúvida sobre qual dos pares de ténis usar até a questões mais básicas como que par de óculos levar. Viagem combinada, horários definidos e muita vontade de chegar ao Porto e começar a sentir o espírito da Maratona.

Mentiria se dissesse que não tenho um objectivo de tempo para tentar atingir. Seja como for, a primeira prioridade é terminar e a segunda é tentar baixar o tempo do ano passado. Só se isto estiver a correr bem é que eu penso em voos mais altos. Para "piorar", lembrei-me do meu "trauma da segunda prova". O que é isto? Ora bem:

- Primeira prova de 10km - 1:13:46

Fiz mais uns treinos, comecei a ganhar-lhe o gosto e depois...

- Segunda prova de 10km - 1:19:24

Mas não é só:

- Primeira Meia Maratona - 2:17:28

Fiz mais uns treinos, preparei-me melhor, fui à campeão e...

- Segunda Meia Maratona - 2:20:39

Pronto, o mesmo não aconteceu noutras distâncias, mas nestas que são as mais frequentes a segunda experiência correu sempre pior que a primeira. Então numa Maratona onde qualquer problema tem que se multiplicar por 42 a coisa promete complicar-se. É claro que isto são tudo - lá está - complicações da minha cabeça e ao ler isto aquilo que eu acho mesmo piada é rever os tempos que eu fazia quando esta brincadeira começou. E continuo a orgulhar-me deles, são parte da minha história e do meu percurso até chegar onde cheguei. E sinceramente não cheguei assim tão longe, mas foi mais longe do que eu alguma vez sonhei ser possível. Posto isto, acabar uma segunda Maratona será sempre uma vitória que terei o prazer de partilhar com quem nunca desistiu de mim e com o fantástico grupo de amigos a quem tento sempre retribuir em dobro todo o carinho que recebo.

Para referência futura, o meu tempo da Maratona de 2016 foi 4:40:54.

Esta semana passei um serão a ver precisamente vídeos da prova do ano passado, não só os que estão bem organizadinhos na Running & Medals mas também outros que me foram aparecendo nos vídeos relacionados no YouTube. Foi uma maneira de começar a mentalizar-me e a visualizar toda a beleza do percurso sem esquecer a exigência da distância.

Como há sempre um susto - no ano passado ia caíndo de um escadote em casa dias antes da prova - nestes últimos dias o calo que tenho no pé esquerdo mesmo debaixo do dedo grande e que tem estado quietinho começou a queixar-se de forma ténue. Estou a fazer o que posso para minimizar a chatice e vou tentar ignorá-lo mais uns dias. Da última vez que tive algo semelhante comecei a colocar o pé de forma errada para evitar o desconforto e isso foi uma das causas para a canelite que tive no início deste ano. E revivendo o episódio do escadote, hoje no trabalho ia dando um valente trambolhão ao entrar no WC que tinha o piso molhado. Adiante.

Se estou pronto? Vou sempre pensar que podia ter feito mais isto, mais aquilo. Ainda não fui comparar os quilómetros deste ano com os do ano passado nestes 3 meses antes da prova. Seja como for não adianta pensar muito nisso. Logo há treino. Calminho e sem aventuras, está bem?

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Coimbra, take 2

Take 2 precisamente por duas razões: segundo ano consecutivo a marcar presença nesta Meia Maratona e segunda tentativa de escrever este relato porque o rascunho que fui escrevendo quando vinha no carro de regresso a casa não ficou gravado no Blogger e está perdido para sempre. Resta-me agora tentar-me lembrar das notas que fui escrevendo para poder desenvolver agora ao fim da noite.

Muito do que aconteceu hoje foi semelhante ao que aconteceu no ano passado. Aproveito para pegar naquele texto e fazer apenas alguns ajustes: a hora de acordar desta vez foram umas pornográficas 5:00 da manhã e às 6:30 já estávamos todos os 15 elementos da equipa dentro de três carros para rumar a Coimbra. No total fomos 5 para a Meia Maratona, 2 para os 10kms da Mini Maratona e 8 participantes nos 5kms da caminhada. Infelizmente ainda tivemos algumas pessoas que não puderam comparecer à última da hora e na Meia Maratona havia duas estreias, uma das quais daquela colega que no ano passado não conseguimos convencer a fazer a Meia. Foi hoje e a nossa amiga e enfermeira não nos deixou ficar mal. Confesso aqui que quando ela estava a chegar à meta eu estava a aplaudir e a gritar por ela ao mesmo tempo que fazia um esforço brutal para não chorar. Foi uma chegada emocionante de uma das pessoas que eu mais estimo neste grupo. Emocionei-me tanto ou mais do que na minha própria chegada - e acreditem que a minha foi muito simbólica.

Também em relação ao estacionamento e ao café onde fomos antes da partida tudo foi igual a 2016. Fotos finais, palavras de ânimo e lá fomos nós. Estava mais contido que o habitual e sentia isso. Nos minutos antes da partida até já tinha ligado a minha playlist - também pelo facto de estar a usar uns phones bluetooth e de ter as músicas no relógio, daí não querer mexer nele depois de passar o pórtico inicial. Já tinha feito experiências em treino mas ainda tinha receio de parar o relógio se carregasse numa opção errada. Mantém-se algo a ponderar para o Porto: usar estes phones que têm autonomia para a prova toda ou usar o mp3 do ano passado que "só" se aguenta 4h. A outra hipótese é tentar fazer a Maratona abaixo desse tempo.

Dos cinco da Meia Maratona sabia que, em condições normais, seria o elemento do meio, portanto deixei dois colegas mais para trás e vi outros dois afastarem-se gradualmente até deixar de os ver no horizonte. Também tinha dito durante a semana a várias pessoas que, em condições normais, podia perfeitamente ir a Coimbra e tentar bater o meu record na distância, embalado pelos treinos para a Maratona e pelo percurso igual a 2016 onde se desce bastante de início e depois enfrentamos mais de dois terços da prova praticamente em terreno plano. Infelizmente a paragem recente amolgou-me a forma e também a confiança. Mesmo assim, deixei-me ir nos primeiros 5km até passarmos pela zona da meta. Até aqui os quilómetros iam passando em boa média, a rondar os 5:00m/km ou abaixo disso.

Tentei estabilizar a velocidade a partir daqui, até porque já me estava a senti cansado e ainda tinha muito pela frente. Deu para ir olhando em redor com mais atenção, sendo que nem sequer as tentativas de me meter com o público tinham corrido bem. A coisa melhorou quando desejei boa prova a uma atleta do Correr Lisboa e aplaudi veementemente uma menina de - não sei, 7 ou 8 anos talvez? - que ia a correr pelo passeio ao ritmo do grupo onde eu ia naquele momento. "Grande atleta" - gritei-lhe eu.

Uns quilómetros mais à frente, já depois de deixarmos os atletas dos 10km seguirem o seu percurso até à meta deu-se uma feliz coincidência. Lembram-se da Lúcia com quem partilhei um pouco da Meia Maratona de Castelo Branco? Pois bem, encontrei-a novamente. Ela admitiu que não se lembrava bem de mim mas seguimos à conversa sobre as provas das Running Wonders. Ela já fez as sete e ficou "prometido" novo encontro para Évora! Segui viagem perante a insistência dela que sentia que me estava a atrasar o ritmo.

E encontrei-a novamente aos 10km quando parei no abastecimento por uns segundos para beber um copo de isotónico. Ela passou por mim e fui quase até aos 15km atrás dela. Foi uma boa lebre. Já antes disso senti um outro atleta a colar-se a mim e foi um bom bocado ao meu lado, mas sem nunca falarmos. Acho que havia ali uma entreajuda silenciosa e ao passarmos por outro pequeno grupo ele acabou por ficar com eles. E, de repente, a minha cabeça de matemático escondido atrás de um curso de Letras começou a trabalhar: se eu tenho 55 minutos à passagem os 10,5km então se mantiver o ritmo faço 1:50 no final! Ah, mas agora não vou ter aqueles quilómetros a descer para ajudar a média, esquece lá isso. Mas calma, se passei aos 11km com cerca de 57:30 basta-me fazer uma hora nos 10km finais para acabar com um tempo interessante. Não, esquece lá isso.

E esqueci. Nesta fase havia um ponto de retorno e o meu interesse era saber onde estavam os restantes colegas da equipa. Não havia surpresas e isso era bom sinal. E entre o quilómetro 14 e 15, depois de tomar o único gel da prova (levei dois, mas optei por retardar ao máximo para tentar só tomar um) ultrapassei a Lúcia. E voltei a fazer contas. E à falta de público naquela zona do percurso dei por mim a agradecer aos voluntários nos abastecimentos dizendo que nós sem o apoio deles não conseguíamos fazer as provas. Já estava a ficar cansado, apesar de contente por estar a conseguir manter um bom ritmo. Já só queria voltar a entrar em Coimbra, já só queria ver a Ponte de Santa Clara, já só queria acabar. Felizmente tive uma visão e encontrei lá ao fundo a camisola azul de um dos meus colegas de equipa e tentei encurtar distâncias para, quem sabe, terminarmos juntos porque ele teria, eventualmente, quebrado. Não consegui e vim a perceber mais tarde que era uma miragem. Esse meu colega acabou a prova 9 minutos antes de mim! Era claramente outra camisola parecida.

Foi já em quebra que entrei no último quilómetro - o mais lento de todos, feito a 6:00m/km - e nem o facto de ter a meta à vista me conseguia ajudar a reagir. Até que na última curva antes da meta vejo uma das colegas de equipa que fez os 10km e faço a minha melhor pose sorridente para a foto. E a partir dali foi uma festa em toda a recta da meta que só terminou depois de concluir a prova. E caso não haja fotos oficiais pelo menos já há um vídeo que imortaliza o momento! Pouco depois chegava a Lúcia.

Era altura de partir para outro objectivo, ir atrás buscar a nossa colega. E eu não consegui. Disse aos meus dois outros colegas que já tinham terminado antes de mim que fossem porque eu estava completamente rebentado e sem forças. Acabei por esperar junto à meta e também por isso me emocionei. Felizmente o espírito da equipa faz com que quando não podem uns, podem outros e ela lá vinha com uma guarda de honra. Quando lhe dei os parabéns também lhe pedi desculpa por não a ter ido buscar. 

E pronto, mais uma aventura terminada, regresso aos carros não sem antes passar pelas famosas escadas do Quinchorro. O almoço foi no mesmo local do ano passado, o que significa que houve doçaria a seguir viagem com a malta no regresso a casa. Dos cinco que fizeram a Meia houve duas estreias na distância e dois recordes pessoais batidos, um deles o meu.

Repete lá isso? Sim. Quando cruzei a meta não olhei para o relógio nem o parei logo. Não sabia exactamente o tempo que tinha feito e acabei por me esquecer disso até ao momento em que estávamos a beber café depois de almoço e me lembrei de ir ver à net se já havia resultados oficiais. E havia. Tirei 8 segundos ao tempo que tinha feito no Douro Vinhateiro.

Agora é ver como recupero. Claro que o início rápido da prova ajuda, mas este resultado surpreendeu-me. Não sei bem o que pensar até porque apesar das contas que fiz a meio da prova nunca fui à procura da marca. Acabei exausto mas por outro lado nunca tive momentos a meio em que tivesse quebrado mentalmente. É estranho um record pessoal deixar uma pessoa com dúvidas. Não foi um "treino longo" ao ritmo da Maratona, mas foram 21km nas pernas - a  última vez que farei tantos antes do Porto.

Estou feliz, claro que sim. Foi um dia cheio de emoções! Mas acreditam que estou confuso?

Prova nº 69 - Meia Maratona de Coimbra 2017 - 21km - 01:57:08